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Conhecimento tem gênero?

O título desse texto é uma provocação. Afinal, existe diferença entre homens e mulheres na construção? Ou melhor, existe diferença no conhecimento técnico e profissional entre os dois públicos nesse setor?

Desde pequena gostava de ajudar meu pai na manutenção de casa. Ajudava a trocar diversos itens e isso acabou guiando minha carreira para o setor de construção. Passei por obras, engenharia, indústria e hoje estou no varejo. Como consegui isso mesmo sendo mulher? Acredito que duas palavras resumem bem minha carreira e as mulheres na construção, em geral: conhecimento e postura.

O ambiente da construção, tanto os canteiros de obras, indústrias, varejos e até mesmo os profissionais em si, trazem um certo conservadorismo enraizado. Dessa forma, uma mulher precisa saber se posicionar para impor respeito de forma quase natural. Considero o conhecimento, a linguagem técnica e a postura os itens essenciais.


Crescimento do número de mulheres na construção

Segundo dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgados através do RAIS, a participação feminina nesse mercado é de aproximadamente 10,5% em 2017, ante 7,1% observados em 2007.Segundo a mesma fonte, o número de mulheres trabalhando na construção civil cresceu 17% entre 2007 e 2017, superando a marca de 200 mil profissionais registradas no setor. No gráfico abaixo podemos ver essa crescente de mulheres, que segue também as variações do total de profissionais da construção civil no período, com altas e baixas no número absoluto.

grafico

Existem diversos fatores que podem ajudar a explicar o aumento da participação das mulheres na construção civil, que vão desde maior especialização, capacitação, atenção aos detalhes e cuidados que podem inibir acidentes de trabalho.


Existe diferença?

Não acredito que aqui seja o espaço para debates sobre gênero, mas falando em legislação, puramente, até mesmo a norma regulamentadora presente nas leis trabalhistas que trata sobre ergonomia no ambiente de trabalho, a NR 17,  traz o seguinte item:

17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança.

Se até mesmo as normas seguidas pelo Ministério do Trabalho colocam essa diferença no transporte de cargas, como cimentos, cerâmicas, madeiras e outros, é um assunto relevante . No entanto, a tecnologia evoluiu e temos inúmeros dispositivos para auxiliar qualquer profissional que precise transportar cargas pesadas, o que faz bem para ambos os gêneros.


Como chegar lá…

Como em qualquer outro setor, não existe uma fórmula mágica para conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Porém, algumas dicas podem ser bastante úteis:

  • Estude. Em ambientes conservadores, podemos ser mais questionadas e a melhor forma de se impor é através do conhecimento.
  • Postura. O canteiro de obras é um ambiente rústico, de certa forma, perigoso e exige postura de todos os profissionais, seja com as roupas, equipamentos de segurança e até mesmo acessórios;

  • Não tenha medo. Pode parecer assustador no início, mas a construção civil, em todos seus aspectos, acaba sendo um ambiente acolhedor, do seu jeito.

No final, apesar das diferenças anatômicas e regulatórias, as mulheres têm muito espaço no setor da construção e, no final, depende apenas delas se posicionarem, colocarem o capacete e dominarem mais este espaço no mercado de trabalho.

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